segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A EUROPA E O MUNDO COLONIAL NO SÉCULO XVIII - Les Candidatures Sélectionnées et Confirmées

1 - Alexandre Dubé  – Canada – University McGIL,                                    
            Thème: Le Roy de France s’incarne-t-il aux colonies?

2 - Aurélie Zygel-Basso  – Canada – Université de Trois Rivières, Québec
       Thème: La colonie dans le Grimoire – tableaux exotiques et merveilleux: de  
                    l’anthologie illustrée du Cabinet des Fées aux Voyages imaginaires
                    (1785-1789).
3 - C.Akça Ataca - Turquie -  – International Relations Department – Hacettepe  
                                 University, Ankara
            Thème: Narratives guide the imperial encouters: ancient   historiography of
                       eighteenth-century Britain.

4 – Jenny Silvestre (19) – Portugal – Universidade Nova de Lisboa
            Thème – The exotic in the portuguese court and the firsts abolitionists laws
                            with Pombal.

5 – José Arnaldo Santos  – Brasil, Universidade Estadual de Fortaleza
        Thème: La problématique de l’esclavage entre “indiens    gentios” et esclaves
                      africains dans la conquête de la terre pour l’homme blanc.         

6 - Kalle Gustafsson – Finlândia – Abo Akademi University, Finland
Thème: Central Africans in Minas Gerais in the Eighteenth Century

7 - Luigi Delia -  Université de Bourgogne, França
  Thème: De la nécessité d’adopter l’esclavage en France (1797) –
                Stratégies discursives d’un “chef d’oeuvre d’iniquité”.

8. Marco Platania – Itália. Fellow du IGK Politische Kommunikation à l'Univ. de
                                   Francfort.
Thème:L’anticolonialisme français au XVIIIe siècle: une mise en perspective.




9. Marin Sambrian-TomaRomaniaUniversity of Craiova
 Thème: The oriental influence in the fashion of Wallachia in the 18thcentury.



10. Marisa HuertaUSAHarvard University; Brown University; University of
                                  Texas at San Antonio
Thème: Imagining a Past Fit for the New National Community:   The
              Emerging Discourse of “Racial” Purity in England and América.



11.  Nathalie Vuillemin – Suisse – Universités de Neuchâtel
Thème: Le voyage savant entre intérêts politiques et ambitions scientifiques:
             enquête dans le carnets et dans les œuvres  de  quelques naturalistes
             français en Amérique du Sud (1735-1800)


12. Tony C. Brown – USAUniversity of ChicagoUniversity of Minnesota, USA
Thème: The New Word in enlightenment Aesthetic Theory ( The Primitive, the
             Aesthetic, and the Savage: an Enlightenment Problematic).





13 – Werner Stangl – Autriche – Graz University – Depertment of History
Thème: The private correspondence of Spanish emigrants from
             Hispanoamerica.

14. Zacharie Nzepa Petnkeu – Camarões – Concórdia College, Minnesota, USA
Thème: La France et Saint-Domingue: la dialectique de la trahison   et du
             déni de l’Histoire à la fin du XVIIIème siècle.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A ideia de República


L’idée de République / A ideia de República
20 de Setembro de 2009 a 19 de Junho de 2010

20. Setembro.2009 17.00 horas - Conferência
La redécouverte de la république à la fin du XVIII siècle
Prof. Jean Mondot
Na sede da SPESXVIII
Av. de Ceuta -Quinta do Cabrinha, nº1 r/c

3.Outubro.2009 16.00 horas - Conferência
Da República de Platão à Utopia de Morus
Na Biblioteca-Museu da República

22.Novembro. 2009 16.00 horas - Conferência
Da República Inglesa à República Francesa
Na Biblioteca-Museu da República


9. Janeiro. 2010 16.00 horas - Conferência por M.H. Carvalho dos Santos
Hobbes e a Questão da Soberania

6. Fevereiro. 201016.00 horas - Conferência por David Martelo
Maquiavel e a Ideia de República Na Biblioteca-Museu da República

Na sede da SPESXVIII – As Quintas da História
18 de Março de 2010 - 5ª feira - 21.00 horas
As Vésperas da Revolução em Portugal (1817-1908)

17 de Abril de 2010 - 5ª feira - 21.00 horasLiberalismo e Romantismo - da Europa para as Américas

8. de Maio. 2010 - 5ª feira - 21.00 horasA IDEIA DE REPUBLICA - da Filosofia à Economia
AS ORIGENS, OS MALOGROS E OS FUTUROS
19.Junho.2010 - Sábado - 16.00 horasNa Biblioteca-Museu da República

Cidadania e República
Teatralização das Conferências do Casino

Organização:
Sociedade Portuguesa de Estudos do Século XVIII
Av. de Ceuta, Quinta do Cabrinha, 1 r/c
1300-125 Lisboa
Tel: 91 900 90 86; 91 97 000 48
E-mail: mhcsspes18@gmail.com



sábado, 10 de janeiro de 2009

A Europa e o Mundo Colonial


Seminário Jovens Investigadores
A EUROPA E O MUNDO COLONIAL NO SÉCULO XVIII
21-27. Setembro. 2009
Lisboa /  Sintra

         A Sociedade Portuguesa de Estudos do Século XVIII em parceria com a Sociedade Internacional de Estudos do Século XVIII e outras Sociedades congéneres da França, Itália, Brasil, EUA, Irlanda e Japão, entre outras, organizaram em Setembro de 2009 o SEMINÁRIO DE JOVENS INVESTIGADORES, que teve como tema A EUROPA E O MUNDO COLONIAL NO SÉCULO XVIII.
            Para participar, os Jovens Investigadores devem possuir um diploma de Doutoramento e apresentar a CANDIDATURA à Comissão Permanente da Sociedade Internacional de Estudos do Século XVIII, que selecciona pelo menos os 12 investigadores que revelem as melhores propostas de trabalho sobre o tema dado.
            A organização do Seminário, para o ano de 2009, foi entregue à Sociedade Portuguesa de Estudos do Século XVIII – que apresenta  um interessante curriculum de vinte e cinco anos de trabalho no âmbito da investigação sobre o Século XVIII, a par de organização de eventos de grande envergadura científica e edição regular dos volumes de actas dos Congressos e Colóquios realizados.
            

Societé International d’Études du 18ème Siècle
SOCIEDADE PORTUGUESA DE ESTUDOS DO SÉCULO XVIII
L’Europe et le monde colonial au 18ème siècle
Séminaire International des Jeunes Dixuitiémistes
20-27. septembre. 2009


Lisbonne / Sintra


Cento Nacional de Cultura  Convida
Rua Antonio Maria Cardoso, 68 – Chiado
Entrée Libre

Apresentação
pelo Prof. Doutor Guilherme de Oliveira Martins,
President du Centro Nacional de Cultura

Conferência
pelo Prof. José António Ferrer Benimeli – Universidade de Zaragoza
América en el pensamiento del Conde de Aranda (1719-1798)

Participantes convidados:
Prof. Doutor Mariano Gago, Ministro da Ciência e do Ensino Superior
Prof. Doutor Jean Mondot – France - ex- Président de la Société International d’Études du XVIIIème Siècle                                        
Prof. Doutor Rui Vilar – Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian
Doutor Carlos Monjardino – Presidente da Fundação Oriente
Prof. Doutor Mário Mesquita– Administrador da Fundação Luso-Americana
Prof. Doutor Luis Aires de Barros – Presidente da Sociedade de Geografia
Prof. Doutor João Bilhim – Presidente do  ISCSP-UTL
Dr. Tavares Salgado – Presidente da Fundação Marquês de Pombal
Dr. António Costa – Presidente a Câmara Municipal de Lisboa
Dr. Fernando Seara – Presidente da Câmara Municipal de Sintra
Dr. Isaltino de Morais – Presidente da Câmara Municipal de Oeiras
Président : Lise Andries – Secrétaire General de la SIEDS
Coordinateur: Maria Helena Carvalho dos Santos -SPESXVIII





quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A Ideia de Felicidade


Baudouin de Contes

Para todos os gregos, qualquer que seja a sua moral, a procura da felicidade era a finalidade essencial da vida humana. Assim como ainda é hoje o traço distintivo da civilização ocidental. A língua grega clássica para dizer "feliz" tem dois adjectivos : eu-daimôn (ter bom génio por oposição a kako-daimôn, ter mau génio) e makarios. Enquanto to makariôs zen serve para designar a vida de felicidade inalterável dos deuses imortais, é eudaimônia que designa a felicidade dos homens, na tradição, tanto platónico-aristotélica, na tradição estóica ou na epicuriana. É beatitudo que vai servir para traduzir eudaimônia tanto em Cícero como em Descartes. Para os moralistas da antiguidade  eu-daimônia não pode existir fora de uma activitade inseparavél da sua finalidade e que encerra nela, como a música, a sua própria finalidade. Isto é o contrário do que Hegel chamaria "alienação ".
A ideia de felicidade é o traço distintivo da civilização ocidental: para os chineses, a palavra xingfu, que se traduz por felicidade, associa, no grafismo de caracteres, a ideia de azar et de prosperidade através do favor celeste. Mas ideia da felicidade parece ausente do pensamento confuciano, apesar da comparação sedutora que François Julien tentou sobre este tema entre o pensamento de Kant e o de Mencius. Então, eudaimônia é, por oposição a felicidade como sorte e prosperidade, e também como o sabia Adam Smith, e Henry Sidgwick ( o grande representante da corrente utilitarista à época vitoriana) eudaimônia é, em filosofia antiga, um conceito moral ou ético.
Este conceito conserva o mesmo estatuto moral na tradição racionalista que vem do humanismo renascentista, especialmente em Descartes e Espinosa. É na filosofia moral de Kant que se assiste à destituição moral da ideia de felicidade  no momento em que felicidade começa a apresentar-se como conceito político como apelo à "felicidade pública" ou "do povo".
É nesta perspectiva que se inscreve a corrente utilitarista que vai contribuir para fazer da procura da felicidade o principal axioma antropológico das teorias económicas que nos governam ainda hoje. As teorias económicas de inspiração neo-liberal partilham secretamente este preconceito como os seus adversários hereditários: as grandes utopias que se formaram no Século dezanove. Assim, esta é a questão que podemos discutir, por exemplo, à luz da filosofia política de John Rawls : a finalidade da política é instituir a felicidade ou preferentemente a justiça ?
A idéia de felicidade ( em português) é a mesma idéia de bonheur (em francês)? La formação do termo bonheur, conhecido desde o século XII, singulariza a língua francesa que neste ponto não teve uma evolução muito cartesiana. Alain, o filosofo françês da terceira Republica, retoma por sua conta a concepção cartesiana de beatitude (em françês ), palavra que Descartes julgava preferível ao uso de bonheur (felicidade), mas que ainda hoje se continua a usar.
A língua inglesa tende a singularizar-se pelo emprego de happiness. Os autores ingleses modernos, por exemplo Stuart Mill, ou a Declaração de Independência dos Estados Unidos recorreram à palavra happiness e não a felicity. Em bonheur, o heur deriva do francês antigo euir, ( chance/sorte ), que corresponde a uma deformação de augur (augurum), que em nada se relaciona com hora. Happiness é formado sobre happen, “ocorrer” em português. Do mesmo modo que gliick em alemão, bonheur em francês ou happiness em inglês, todas estas formas dão a idéia de que aquilo que acontece advém por sorte ou azar.
A felicidade, ou le bonheur, esta idéia ou estas duas idéias, remetem a um conceito filosófico que tem lugar importante na reflexão ética dos filosófos gregos, a eudaimônia. Hoje esta palavra traduz-se geralmente por bonheur em francês, happiness em inglês e, de modo quase exclusivo, por palavras que derivam da palavra felicitas em latim, na maioria das outras línguas latinas. Félicité corresponde em francês a um arcaísmo caído em desuso, salvo para designar a forma superlativa de bonheur, do mesmo modo com felicity em inglês. Com este duplo entendimento, a palavra serve para designar a forma mais completa da felicidade, a felicidade absoluta ou suprema. Na maioria das línguas latinas ou latinizadas, ao contrário, salvo nos casos em que se deve recorrer aos adjectivos formados pela palavra fortuna o seus derivados adverbiais como fortunately ou "afortunadamente", emprega-se mais correntemente a palavra que se formou a partir de felicitas. Entretanto a palavra eudaimônia traduzia-se antigamente, em latim, por uma palavra que tem raízes na maioria das línguas latinas ou latinizadas, como o inglês. Beatitudo (“beatitude”  em português e em françês) formou-se sobre beatus. E beatus aquele que tem todos os seus desejos satisfeitos, de maneira que nada mais deseja, pois nada mais tem a  desejar. Mas isto quer dizer que a vita beata pode exigir uma ascese que só se torna possível através da filosofia, pois que, apesar de nada mais ter a desejar, isso não quer dizer que se trate da conquista de bens, mas antes se interroga sobre a natureza do bem. O sábio sabe tornar-se capaz de nada mais querer desejar. A vita beata é uma conquista moral que só está ao alcance do sábio. Felix, em oposição a beatus, torna-se de uso vulgar e designa aquele que venceu et tem seus negócios prósperos, porque é favorecido pela fortuna: adfortunam felix. "Felix ", foi deste modo que Sylla se fez chamar por seus concidadãos, quando pretende trazer a prosperidade ao povo romano, e que instaura o culto da deusa Felicitas. Porque felicitas deriva das mesma raiz indo-européia que felare (mamar),femina (mulher),fecunditas , et que não significa felicidade porque designa antes a fertilitade, a fecundidade. Uma árvore que dá frutos é felix. Aquele que é feliz é o que tudo conseguiu e tem negócios prósperos, aquele que é favorecido pelos deuses.
Os autores cristãos é que vão usar o substantivo formado sobre beatus. Sabe-se o papel que a palavra "beatitude" tomou no latim escolástico numa perspectiva geralmente teológica, de tal maneira que chamaremos um bispo de "vossa beatitude". Foi Cícero que introduziu esta palavra para traduzir eudaimônia, herdada pelos autores cristãos. Séneca não recorre a essa expressão, mas a beatus, e fala de vita beata. Descartes, comentando este último em sua correspondência, em francês, com a princesa Elizabeth, fez, dando razões filosóficas, apelo à beatitude (em francês), assim como Spinoza em sua Ética.
Enfim, para terminar este inventário, que não é exaustivo, convém igualmente levar em conta uma língua que se torna filosófica sob a pena de Kant. O alemão se separa realmente das línguas latinas e do inglês, tanto naquilo que tem de latim e de germânico, pelo emprego de Gliick e de Seligkeit. A primeira destas palavras evoca a sorte, a fortuna. É entretanto afetada na tradução de eudaimônia da mesma forma que se traduz em francês por bonheur. No entanto, como e segundo é afetado pela tradução defelicitas, deveria traduzir-se em francês pela palavra félicité. É menos raro em alemão, pois félicité e felicity servem também para designar uma forma elevada de felicidade (bonheur). Por outro lado, como selig pertenece ao linguajar religioso, podendo significar santo ou bem-aventurado (bienheureux), é também à tradução de beatitudo que ficou afetado. Pode-se encontrar enfim, em Kant, por exemplo, que as duas palavras compõem uma única: Gliickseligkeit. E é este termo que Kant faz corresponder ao conceito de eudaimônia. Entretanto, já que esse conceito corresponde a uma forma superior de felicidade, pode acontecer que Kant se aproxime mais à palavra Seligkeit, como os filósofos gregos denominavam autarkeia, e que ele denomina Selbstgnugsamkeit. Ele opõe então Seligkeit ou "beatitude" a Gliickseligkeit felicidade (bonheur) no sentido em que aquela implica uma independência completa em face das tendência e necessidades.
Mas a história de uma palavra não é a Historia. Foi no final do século dezoito na época das revoluções francesa e americana, que a eudaimônia, sob o nome de felicidade (happiness ou bonheur),  se tornou um conceito político e social. Disso são testemunhas tanto a Declaração da Independência dos Estados Unidos, assim como a famosa proclamação de Saint-Just. Que "a felicidade seja uma idéia nova na Europa", como indiscutivelmente refere Saint Just ao povo, a felicidade do povo. E, sendo assim, ela se torna uma idéia revolucionária, no sentido coletivo, um dos fins essenciais de toda política ao lado da Justiça. Foi neste sentido, apesar da conotação fortemente individualista, adquirida na América do Norte, que na nossa época se entende a expressão " pursuit of happiness " (procura/perseguição de felicidade) e que a Declaração da Independência já havia tornado um direito inalienável que todo governo tem a missão de garantir. Jefferson que fora redator da Declaração da Independência, em um de seus textos que a antecipa, não hesitava em mencionar a "procura/perseguição de felicidade pública" (pursuit of public happiness). Ainda que se tenham abstido de dar ao povo um sentido étnico ou de designar com esse termo (povo) uma classe social, a felicidade do povo e a felicidade pública não significam nada de diferente. É também por isso que aos seus olhos a questão de felicidade, no sentido social do termo, se coloca no terreno do interesse comum, assim come de common sense. Thomas Paine procura definir as condições entre as quais a força do governo e a felicidade dos governados podem conjugar-se entre si.
Até esta época o conceito de felicidade nas suas diversas palavras, não conseguiu alcançar sua eminente dignidade, na tradição ocidental a não ser no espaço de escolha que a teologia cristão lhe reservou, mas sobretudo antes disto, no status central que os filosófos pagãos da Antiguidade lhe concederam sob sua ética, principalmente depois que foi travado o declino da teologia, assim como os filósofos racionais do século dezessete que lhe atribuíram uma perspectiva estreitamente ética ou moral. Para Thomás de Aquino a beatitude se define como o fim ultimo da vida humana. Como tal, isto é perfeita, ainda que correspondendo a um fim natural perseguido nesta vida, ela consiste na visão da essência de Deus. Ela é "transcedente ao homem e à natureza ". Ela só pode ser celestial. A perspectiva adotada por Descartes sobre a questão da felicidade (bonheur) corresponde assim a uma ruptura deliberada, ainda que expressa com prudência. Na moral, que ele desenvolve principalmente em sua correspondência, reserva para esta questão o lugar essencial e primordial que lhe havia sido dado pelos filósofos da Antiguidade, em sua ética. Descartes, afirmando colocar-se sob o mesmo ponto de vista de que "os filósofos antigos nada sabiam da beatitude sobrenatural" renova uma tradição que apenas tinha em vista a "felicidade terrestre" e não pretende falar a não ser do "maior e mais sólido contentamento da vida" que ele identifica como "o bom uso do livre arbítrio" o Diferentemente de Descartes, o pensamento de Spinoza é téológico e afirma-se como teológico. A diferença entre ambos encontra-se, no entanto, já que é racional e moderna, no prolongamento da tradição clássica que ela renova, não correspondendo menos a uma ruptura, mais acentuada ainda com a teologia cristã. Entretanto, é necessário que se preste atenção de que se trata, palavra por palavra, da inversão de uma fórmula de Thomás de Aquino , uma declaração intempestiva, e provocante do ponto de vista retórico, sobre a qual se conclui que a Ética: "Beatitudo non est virtutis praemium, sed virtus ipsa", (a beatitude não é prémio da virtude mas a própria virtude).
Seria simplista concluir, ao constatar esta ruptura, que Descartes e Spinoza tenham secularizado o conceito de felicidade e que tenham contribuído dessa forma para a promoção política de que será objeto no final do século seguinte. Deve-se hoje evitar a representação monolítica do racionalismo moderno, que após Burke, mas com fins bem mais suspeitos e fortemente partidários, e a corrente de pensamento dito neo-liberal assim como o heideggeriano ou a teoria "desconstrutivista" que tendem a fixar a discussão. Para uns trata-se de fazer prevalecer a lógica do interesse sobre a moral assim como sobre a justiça, e outros pretendem arruinar os ideais do racionalismo critico como sendo os únicos que dão oportunidade à modernidade de se prolongar e à humanidade de progredir ou de sobreviver. As problemáticas cartesiana e de Spinoza da felicidade são fundamentalmente estranhas, em sua visão, à problemática política da felicidade que se vê emergir no final do século Dezoito. De um lado a questão se mantém num quadro rigosamente ético. Do outro trata-se do advento do pensamento político que dominará os dois séculos que findaram <até Rawls. Este, através da corrente utilitarista que pretende como ele diz: "a sua formulação mais clara e mais acessível com Sidgwick " (o grande representante da corrente utilitarista à época vitoriana) não se prende com efeito a nenhuma outra que não seja a uma filosofia política da felicidade. Não é esta a felicidade que deva constituir a finalidade do pacto social mas é necessário colocá-la como fundamento da democracia, como idéia de justiça na sua acepção moral: "asfairness". Indiscutivelmente as proclamações revolucionárias americanas e francesas, relativas à felicidade, são contemporâneas da formulação teórica em que esta idéia se torna o objeto de Jeremy Bentham, numa perspectiva hedonista que explica o lugar que suporta a noção de prazer na teoria econômica. E é na corrente utilitarista, assim como na época pós-Bentham, que esta concepção deve ter sido elevada à classe daquilo que Aristóteles chamava Ciência Arquitectónica!
Mas as revoluções Francesa e Americana são também contemporâneas da filosofia moral de Kant. A Critica da Razão Prática foi publicada em 1788. Este texto completa o projecto cartesiano e o radicaliza, pois anuncia uma concepção da moral fundada sobre a autonomia do sujeito. A moral não pede nada à transcendência, a não ser quando o sujeito moral se proclame ele mesmo transcendente porque ele é soberanamente legislador e só obedece à lei universal, por ele promulgada. A filosofia moral de Kant é, por outro lado, fundadora de uma tradição que em Inglaterra e América do Norte se chama continental, apesar de tudo o que John Rawls lhe é devedor, como ele próprio sublinhou. Esta tradição não teve um papel menos importante que a tradição utilitarista e ambas se desenvolveram numa relação de franca oposição. Assim, assiste-se na Critica da Razão Prática a uma revisão da questão do status ético da idéia de felicidade (Gliickseligkeit). Por esta destituição revolucionária, a filosofia moral de Kant prolonga ao mesmo tempo o humanismo cartesiano e dele se afasta. Há como efeito, em Kant duas doutrinas de felicidade. De um lado ela é moralmente desqualificada porque ela não poderia, em caso algum, constituir o móbil da acção moral. De outro lado, ela o constituiu como objeto de uma reabilitação aparente que conduz à doutrina dos postulados da Razão Prática, garantindo por fim, se assim se pode dizer, o acordo da virtude e da felicidade dentro de um progresso indefinido. Mas há que se considerar o facto de que a felicidade não se apresenta, do ponto de vista fenomenólogico “avant la lettre”, a não ser como uma simples esperança, a qual não é mais que a esperança de uma simples consequência. A felicidade deixou de ser uma causa, um fim ou mesmo um efeito. Não é a felicidade que determina a acção moral, nem é isso que ela tem em vista, nem é isso que ela produz.
Seria necessário, sem dúvida, no momento em que os revolucionários americanos e franceses apresentaram à filosofia uma questão inédita, a questão da felicidade do povo, que a felicidade fosse destituída do status ético que lhe fora confiado na Antiguidade sob o nome de eudaimônia, e na modernidade sob o nome de beatitude. Tomou-se necessário que fosse desqualificada como finalidade moral a fim de tornar-se um conceito antropológico. Mas justamente o que não está claro na tradição utilitarista como nas teorias econômicas que ela inspirou foi a função epistemológica da idéia da felicidade, noção híbrida que se apresenta tanto como um valor incontestável,  também, como um objeto, para uma antropologia que está ainda a nascer. Porque seria desejável, afinal, já que a filosofia moral lhes deixou esta idéia, que aqueles que se orgulham de conhecer os meios de realizar a felicidade pública digam, também, o que ela é. Naturalmente que uma tal questão é irônica no sentido etimológico e socrático do termo e que ela não dá resposta a quem a interroga. Seja ausência de resposta, ou uma resposta aguardada, não teremos que nos contentar com a idéia de justiça?

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

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quinta-feira, 14 de agosto de 2008



A questão da naturalização dos luso-americanos como cidadãos americanosMaria Helena Carvalho dos Santos

Como é que ao longo de mais de um século de emigração,
os portugueses ou luso-descendentes procedem
sociologicamente entre uma cultura portuguesa
e uma cultura americana? - Análise através dos
jornais escritos em português nos E. U. A



Esta questão, que venho estudando sob o título genérico de os jornais escritos em português nos Estados Unidos da América e que me preocupa há largos anos, é demasiado vasta para ser aqui completamente tratada.
Por isso, decidi trazer aqui um texto construído sobre uma investigação recentíssima e que decorre apenas sobre a análise de um jornal durante a última semana, isto é, sobre o último número do Portuguese Times editado em New Bedford, Mass de que é director Manuel Adelino Ferreira. Iremos manter a metodologia usada em outros trabalhos, seleccionando problemáticas. As nossas fontes são essencialmente os jornais, ou melhor, neste caso, apenas um jornal constituirá o nosso corpus documental. Vale a pena tentar a experiência. As conclusões parecem prometedoras no avanço possível do conhecimento das questões da emigração.
Assim, iremos debruçar-nos sobre o PORTUGUESE TIMES., e especialmente a sua edição on line nº 1557 de 25 de Abril de 2001, site www.portuguesetimes.com,.
Sabemos, de anterior investigação, que o jornal foi lançado por Augusto Saraiva e António M. Silva em 1971e que mantém a sua edição em papel às quintas-feiras e que deverá ser hoje o jornal escrito em português que mantém a melhor página na internet, com as seguintes secções: Artes e Espectáculos; Crónicas; Desporto; Gazetilha; Informação Útil; Comunidade; Culinária; Escreva Connosco; Horóscopos; Portuguese Beat; Telenovela e uma secção específica para Rhode Island da responsabilidade do correspondente Augusto Pessoa.
A edição on line é patrocinada pelo Instituto Açoriano de Cultura. Os jornais escritos em português nos EUA proliferaram desde 1880 em todas as regiões onde se instalaram colónias de emigrantes portugueses nas duas costas do continente americano , como já escrevi.
Quando em 1971 nasceu o PORTUGUESE TIMES, na região de New Jersey, parecia que iria disputar com o LUSO-AMERICANO o mesmo espaço e os mesmos leitores.
Mas estes jornais e muitos outros que foram aparecendo encontraram os seus próprios públicos para as suas tiragens de cerca de 10.000 exemplares na maior parte dos casos apoiados pela publicidade e por uma ligação entre Portugal, os emigrantes e as questões de quotidiano que lhes dão uma credibilidade e uma utilidade que os manteve ao longo de anos. Naturalmente uns foram desaparecendo outros nasceram e mantêm-se.
Retornemos à nossa questão: Como é que ao longo de mais de um século de emigração, os portugueses ou luso-descendentes procedem sociologicamente entre uma cultura portuguesa e uma cultura americana?
A primeira ideia que parece dominar todo o articulado do jornal corresponde à contaminação que a cultura americana exerce sobre os emigrantes relativamente a uma prática associativa e a uma prática política revista a modalidade que revestir. Aqueles que saíram de Portugal antes da década de 70 ou mesmo depois não levavam essa prática na sua bagagem cultural mas depressa verificaram e usufruíram das suas vantagens. Assim o comportamento dos emigrantes alterou-se e eles construíram longe de Portugal uma sociedade, uma comunidade e uma solidariedade cívica que não tinham tido ocasião de viver na sua terra de origem.
E também construíram uma ideia política e uma ideia da DEMOCRACIA.
Assim fundaram colectividades, Uniões, Clubes e Jornais e passaram de uma
mentalidade individualista a uma mentalidade de convivência solidária e de defesa dos seus direitos. Criaram uma ideia de CIDADANIA. E instalava-se uma dupla personalidade entre a tradição e a esperança. O encontro e participação com outros portugueses-emigrantes parecia-lhes uma aproximação ao seu Portugal distante, que viviam cheios de saudades ... mas na verdade, parece-me, eles distanciavam-se de Portugal porque estavam a criar uma nova maneira de viver e integravam-se numa outra sociedade. Inventavam outros VALORES.
Os portugueses-emigrantes só tinham conhecido DEVERES e passaram a ouvir falar de DIREITOS. Parecia-lhes uma relação de Deve/Haver. Também não conheciam, antes da longa viagem, os valores da liberdade e da democracia, mas em breve iam construir uma ideia de CIDADANIA, mesmo que nuns primeiros tempos tudo tivesse sido
muito difícil nesse dobrar dos séculos, entre os séculos XIX e XX- quando as crises foram muito profundas no mundo do trabalho operário (foi o tempo das lutas laborais das 8 horas de trabalho dos sindicatos e das greves - questões aparentemente alheias aos emigrantes portugueses, mas que lhes batiam à porta, mesmo quando pretendiam fechar-se a essas novidades). E de novidade em novidade - passaram a viver em outro mundo, que os absorveu - e não os deixa regressar NUNCA. Por as mais diversas razões. Então, se este raciocínio e estas conclusões estão correctos, devemos comprová-lo em uma qualquer edição de jornal. Hoje escolhemos o PORTUGUESE TIMES e a sua edição de 25 de Abril de 2001 – da última semana, portanto.
Neste número do jornal, como em todos os outros que estão à minha e à vossa disposição e que nos propusemos analisar, encontramos diversos artigos que vêm responder às nossas questões Mas iremos reter para esta exposição oral apenas uma questão da maior importância : a questão da naturalização dos luso-americanos como cidadãos americanos. E iremos encontrar essa questão através de uma entrevista concedida ao PORTUGUESE TIMES por uma Senhora, Dra. Fátima Martins.

- Quem é Fátima Martins? É do PORTUGUESE TIMES que retiramos as respostas. Fátima Martins é natural de São João, ilha do Pico, Açores. Veio para os EUA em 1968. Trabalhou em fábricas, ao mesmo tempo que tirou cursos nocturnos. Licenciou-se em gestão de negócios e informática. É analista dos sistemas informáticos para o Estado de Massachusetts. A sua acção junto da comunidade tem sido meritória a todos os níveis, principalmente junto do núcleo português radicado na área de Boston. Tem feito parte das comissões das celebrações do Dia de Portugal da área consular de Boston. Tem integrado as mais diversas comissões de angariação de fundos incluindo para a Universidade Católica Portuguesa e para os sinistrados dos Açores. Há sete anos lançou o programa de televisão PACTV, hoje intitulado Aqui fala-se português, dedicado inteiramente a assuntos comunitários. Independentemente da sua acção em prol da naturalização dos portugueses radicados nos EUA a sua actividade vai mais longe e, principalmente no caso específico da ajuda à Filarmónica "Recreio dos Pastores" de São João, ilha do Pico, para a qual angariou fundos destinados à compra de 35 instrumentos para aquela prestigiosa banda. Mas a sua coroa de glória é o movimento Cidadão 2000 Citizens, cuja acção em prol da naturalização dos portugueses esteve na origem da justa e merecida homenagem levada a efeito no salão da igreja de Santo António, em Cambridge.
Mas se a sua acção foi notória no âmbito da naturalização não o foi menos junto da igreja e desta no que diz respeito ao ensino da catequese que chamou à sua responsabilidade com êxito absoluto.

O PORTUGUESE TIMES dá destaque à questão da naturalização e escreve que em Stoughton e Hudson já ninguém é eleito sem o voto português.
Esta é uma questão velha e importante - nunca resolvida e a que se volta de tempos a tempos de acordo com as circunstâncias. Desde o tempo da 2ª Grande Guerra que este foi um dos temas do LUSO-AMERICANO e que agora podemos seguir já não apenas como matéria jornalística e teórica, mas já colocada na prática e enquadrar comportamentos políticos e ambições de lideranças.
Retornemos à nossa heroína, Fátima Martins, que tem sido o fulcro das atenções no mundo comunitário do norte do Estado. O seu poder de iniciativa já não é novo.
Acompanhou-a desde a pacatez da sua origem, no Pico, até ao movimento desenfreado da área de Boston. As cidades de Cambridge e Somerville, com uma vasta comunidade lusa, cedo se aperceberam que Fátima Martins muito teria a dar de si própria como forma de projectar as nossa gentes, escreve o jornal a introduzir a questão.
Porquê tanto entusiasmo em naturalizar e registar oficialmente a comunidade portuguesa de modo a ter direito de voto?
A resposta é óbvia: Porque o voto é uma das apostas da comunidade. É votando que a comunidade pode ter voz activa (escreve o jornal).
Ela é identificada como uma “...Voz activa na educação dos filhos e filhas, na manutenção da língua de origem, nos seus direitos de contribuintes, no acesso a um sistema de saúde digno, enfim, em tudo o que diga respeito à administração pública” pode ler-se numa crónica de Caetano Valadão Serpa, publicada no Portuguese Times , sobre Fátima Martins. Analisemos, então, uma entrevista de Fatima Martins publicada no número do PORTUGUESE TIMES que vimos seguindo. Transcreve-se:
Portuguesa Times - Porquê o envolvimento na campanha "Cidadão 2000"?
Fátima Martins - Já há muitos anos que venho fazendo o registo de eleitores para a cidade de Cambridge. Em 1996 organizei aulas para ajudar as pessoas, no sistema de naturalização. Quando surgiram os problemas da assistência pública a afluência foi enorme, mas aos poucos as pessoas foram-se mentalizando que isso seria uma das muitas razões para o qual era necessário tornar-se cidadão americano. A campanha "Cidadão 2000 Citizens" está enquadrada dentro de todo este sistema, visando, tal como o próprio nome indica a naturalização dos portugueses.

Portuguesa Times - Porquê e neste caso específico de uma senhora (o que não é muito vulgar) tomar uma iniciativa como tem sido a campanha "Cidadão 2000 Citizens”?
Fátima Martins - Temos de ter em conta que muitas das vezes são as senhoras que organizam muitas das festas dos clubes, se bem que nos bastidores das organizações.
Tenho tido uma outra perspectiva de actividade em algo em que acreditei e fiz todos os possíveis em avançar pondo de lado o facto de ser homem ou mulher.
Posso concluir dizendo que as mulheres também são capazes destas iniciativas, se bem que muitas vezes sem receber os créditos a que têm direito.Desde muito jovem que os meus pais me incentivaram a fazer aquilo em que acreditava.

Portuguese Times - Foi a primeira senhora portuguesa a candidatar-se à Comissão Escolar de Cambridge...
Fátima Martins - Foi uma experiência que me agradou imenso, embora não tendo sido eleita recebi grande apoio, quer da comunidade portuguesa e mesma americanos para concorrer novamente. Feita uma avaliação podemos concluir que sendo a minha base portuguesa não tinhamos votos suficientes para eleger ninguém. Foi precisamente nessa altura que eu concluí que os portugueses não estavam naturalizados o que despertou em mim o interesse em arrancar com uma companha que levasse a comunidade a essa importante finalidade.
Tem sido muito gratificante ver a alegria com que os portugueses obtêm a cidadania americana.

Portuguese Times - Qualquer candidato luso-americano que concorra a um cargo político corre o risco de não ter votos lusos suficientes para poder ganhar?
Fátima Martins - Temos aqui duas coisas a considerar. Primeiro, será que temos votos suficientes?
Depois temos um outro problema que é o levar as pessoas a votar A geração mais antiga pensa que o voto não tem importância Muito do meu trabalho tem sido precisamente alertar para a importância do voto. Porque se deve votar? Porque é que o voto é importante? Qual é o poder do voto? Tem sido um trabalho de educação. Não é só naturalizar as pessoas é preciso levá-las a votar É preciso fazê-las acreditar na democracia. Este recente caso da Flórida é um bom exemplo se o voto conta ou não conta(referência às últimas eleições para Presidente).

Portuguese Times - Acha que todo este seu esforço tem dado frutos ao nível da comunidade?
Fátima Martins - Tem dado muitos frutos. Temos naturalizado muita gente e não é só na nossa área, mas através do estado em que tem havido uma consciencialização.
Já temos comunidades em que já ninguém é eleito sem o voto luso-americano. Isto é muito importante e direi mesmo ser mais importante do que eleger luso-americanos. Desde que tenhamos o peso do voto as pessoas têm de nos escutar Em Stoughton e Hudson já ninguém pode ser eleito sem o voto português.


Portuguese Times - Acha que esta sua acção ultrapassou Massachusetts?
Fátima Martins - Não tenho a menor dúvida. Cheguei a enviar formulários para a Califórnia. Pessoas que me viram na RTPI com o Júlio Isidro. Que tiveram conhecimento de nós através da internet. Que leram no Portuguese Times.

Portuguese Times - Esta sua acção terminou ou é para continuar?
Fátima Martins - A nossa acção inicial tinha uma validade até ao fim de 2000 e como tal a campanha Cidadão 2000 vai encerrar. A missão vai continuar. Estamos no meio de actividades que têm de ser completadas.Encerrei as aulas de cidadania mas já tive de as reabrir, porque fui aproximada [contactada]por um grupo que gostaria de se naturalizar.

Portuguese Times - No momento actual em Cambridge poderia eleger-se um candidato com o peso do voto português?
Fátima Martins - Eu acho que hoje a comunidade portuguesa de Cambridge tem força para eleger um candidato luso. Há no entanto o problema de Cambridge não ser dividida por distritos. Os candidatos são eleitos ao nível da cidade. Somerville está dividida em distritos e suponho que esta cidade deverá ser capaz de elegerum luso-americano primeiro do que Cambridge".

Portuguese Times - A concluir, uma mensagem para a comunidade.
Fátima Martins - A minha mensagem é a mesma que tem sido até aqui. Este [ USA] é o nosso país. Nós viemos para aqui de livre vontade somos pessoas capazes trabalhamos muito mas não temos o reconhecimento político que deveríamos ter pela naturalização e pelo poder de voto. Podemos adquirir esse reconhecimento.
Traz vantagens a nós próprios e a toda a comunidade e dá-nos uma nova apreciação por este país. Ficamos com duas cidadanias e no meio de duas culturas. Somos pessoas de muito mais valor

É-me difícil, emocionalmente, fazer comentários a esta entrevista. Dou conta que todos os estudiosos das questões das migrações se emocionam e “tomam partido”. Poderá ser um erro científico, esse tipo de análise e de estudo? Talvez, mas esse eventual erro científico proporciona uma aproximação aos problemas que deverá ajudar a abrir muitas portas do entendimento humano. Não conheço Fátima Martins, mas penso que devo vir a conhecer. Ela está a ser uma lider dos direitos, levando os portugueses a assumir os direitos e os deveres que as leis americanas lhes proporcionam. Então, cabe a pergunta, porque não os têm usado? Porque esses direitos lhes foram injustamente suprimidos enquanto viveram no seu país de origem, e foi em contacto com outra cultura que se deram conta que faziam parte desse sonho americano porque também ajudam a criá-lo. Mas é preciso aprender essas coisas. E, afinal, não quer toda a gente ir para os Estados Unidos? Não é essa a terra da promissão para todos os potenciais emigrantes? E, afinal, não será apenas o salário e o pouco dinheiro depositado no Banco que os impede de regressar definitivamente a Portugal. Como diz Fátima Martins, quem pertence a duas culturas tornam-se pessoas de muito mais valor.